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Transcript
Episode 1 · Muro ao Entardecer
Lua: Tem um tipo de entardecer em São Paulo que parece segredo, sabe? O ônibus passa cuspindo pressa, a feira vai fechando as barracas, alguém chama alguém da janela... e, lá no fundo, um samba escapa baixinho. Cauê: E sempre tem um muro, né? Um muro com cinco adolescentes sentados como se fossem donos da cidade inteira. Lua: Pois é... naquela praça, Arthur tinha dezesseis anos e uma calma meio rara. Não era o que falava mais alto. Era o que lembrava de perguntar, “você chegou bem?”, e ficava até o último ir embora. Cauê: Líder sem pose. O que, sinceramente, é mais difícil que fazer discurso. Lua: Naquela tarde, a Jú tinha perdido a mochila. Pequena, azul, cheia de caderno, fone de ouvido, uma carta que ela não queria explicar pra ninguém... Cauê: Ah, pronto. A mochila não era só mochila. Lua: Nunca é, né? E enquanto ela revirava a praça, o Davi falou, “Arthur, você vai procurar mesmo? Já tá escuro.” E ele respondeu, bem simples, “ela tá preocupada.” Cauê: Isso desmonta qualquer argumento. Você fica até com vergonha de sugerir ir embora. Lua: Quando ele voltou, a mochila estava no ombro. Suja de poeira, mas inteira. Jú abraçou ele tão rápido que bateu a testa no queixo dele. Cauê: E alguém riu, claro. Lua: Todo mundo. Arthur também, baixinho... Mas aí o celular do Caio vibrou. Convite pra uma festa, do outro lado do bairro. E alguns amigos olharam pra Arthur, depois pra rua... Cauê: Porque, uh, lealdade é fácil até aparecer uma coisa mais brilhante chamando. Lua: No próximo episódio, a gente volta praquela praça... e descobre quem fica, quem vai, e o que Arthur faz quando o grupo começa a se dividir. Cauê: Até lá, cuida de quem senta no seu muro. Lua: Até já.
Episode 2 · Convite e Escolhas
Lua: No episódio passado, “Muro ao Entardecer”, Arthur apresentou o quarteirão e a rotina do grupo, e um gesto de gentileza reuniu todo mundo. Cauê: A mochila esquecida... E agora, no mesmo muro, a noite desce pelos prédios, chega uma mensagem sobre uma festa perto da avenida, e ela corre de celular em celular. Lua: As telas azulam os rostos. Bia recebe um convite direto e quer ir sozinha, porque, bom, aquilo faz ela se sentir escolhida. Davi ouve e admite, baixinho, que tem medo de sobrar. Cauê: E não é drama, né? Aos dezesseis, “vou sozinho” pode soar como “você não cabe aqui”. Mas, pera, não é injusto pedir que Bia abra mão do convite dela? Lua: Arthur não corta ninguém. Ele lembra da mochila que quase ficou para trás, ontem, e diz que cuidado não é prêmio. Aí propõe: Bia pergunta quantas entradas existem; se forem, decidem juntos quem cabe, saem juntos e ninguém volta sozinho. Cauê: Heh, prático. Só que o convite extra aparece, bem tentador, só pra Bia. Aí vem o teste. Lua: Ela hesita... claro que hesita. Arthur não manda. Só pergunta se ela vai conseguir aproveitar sabendo que Davi ficou no muro. E Bia escolhe dividir a chance, chamar Davi e mais um. Cauê: Pequena comunidade, né? Ninguém ganhou tudo, mas ninguém foi deixado pra trás. Até a próxima.